
““É o desespero de falhar que me leva a essa incrivel onda de solidão. Tenho medo de ser o que eu sou. Tenho medo de não agradar a ninguém.”
Lunna Hazewood.

Ponha de lado a timidez e os melindres ao agir. A vida inteira é uma experiência. (sf-pr)

Já que a informação está em todo lugar, o importante agora é ensinar a pensar.
(Júlio Emílio Braz).

Que saudade dessa minha infância que eu dizia tchau pro solzinho do teletubies, que saudades de quando eu arrumava a casa da Barbie e depois desarrumava tudo, que saudade de ser diferente por gostar mais do parque do tubarão, que saudade de quando tudo o que eu via tinha ou ia ser meu, que saudade de ir para a escola sem ligar para os cabelos desarrumados ou sem medo de perder o primeiro tempo, que saudade de não ter que estudar um milhão de matérias diferentes porque deixei tudo para última hora, que saudade de acreditar que um beijo faz a dor passar, que saudade de acreditar em pessoas perfeitas, que saudade de fazer planos com as melhores amigas que hoje nem são tão melhores assim. Ah, que saudade daquela menina despreocupada e tão feliz que hoje se tornou tão… Eu! (sf-pr)

Mas tem que ser assim, é seu meu coração… (sf-pr)


Ela apertou as pálpebras com certa força, afundando na negrura densa, sem fundo dos seus pensamentos mais loucos, nascendo como uma luz em meio a avenida escura, a saudade terna dos lábios daquele majestoso amor ainda vivo em teu colo, na candura impecável, quase que eterna, das noites propícias aos recitais monumentais dos sentimentos, até então, trancados em uma prisão particular, com grades reforçadas pela insegurança, pelo medo, pela incerteza. Naquele mundo não havia recomeços, nem melodias compostas por sorrisos, estava só, apenas ela e sua alma apedrejada pelas falcatruas inacreditáveis das suas próprias – ou quase – escolhas. Retornar pelo mesmo caminho ladrilhado por segurança, tornou-se uma alternativa inalcançável, afinal, não há retorno sem perda; impossível se apaixonar sem quebrar parte da sua essência. E era exatamente assim que ela, heroína do seu conto de fadas, sentia-se, como se cada pessoa que tivesse passado em sua vida, tivesse se apossado, indevida e ilegalmente, dos seus mais secretos sorrisos, mais gloriosos olhares, mais singelos e carinhosos toques, dos batimentos mais apressados. Ela não era mais inteira, tornou-se mais uma vítima da síntese do amor, da repartição do seu coração sonhador, entrelaçando-se em mãos não tão limpas e nem dispostas a segurar e proteger por muito tempo. O amor, aos olhos dela, tinha conquistado uma data de validade, um gosto perecível. Um sentimento com começo, meio e fim, na maioria das vezes, sofrido, massacrado, humilhante.
I cannot stumble here
I am safe inside my head
When I wake up Ill forget
I’ll come back to my mess
Todavia, lá fundo, no côncavo da sua alma, ainda persistia uma voz fraca, convicta da certeza cujo os únicos momentos que nos transformam em seres humanos, são aqueles nos quais perdemos o ar, nos fogem os sorrisos, nos colocam a beira de um precipício; exatamente ali ela estava: diante do seu próprio abismo; sem ar, sem esperança, sem forças, tomada pela tristeza, pelo fracasso das suas tentativas, e acima de tudo, dominada por lágrimas tão pesadas, como se carregassem cada sentimento em sua essência. Ela apenas permaneceu com os olhos fechados e permitiu que o vento a levasse – um dos senhores do mundo, sábio do destino, embarcação para a felicidade. E num único sopro de possibilidade, no âmago do recomeço, ela apenas abriu os olhos e contemplou o primeiro suspiro de felicidade. Era o retorno do sol ao mundo das sombras. (sf-pr)